LER/DORT: 28 de fevereiro é dia de reforçar a luta contra as doenças ocupacionais

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Desde  2000, no Brasil o dia 28 de fevereiro é o Dia Internacional do Combate  às Lesões por Esforços Repetitivos (LER), ou Distúrbios Ósteo Musculares Relacionados ao Trabalho (DORT) como são conhecidos. Trata-se de um marco de extrema relevância, pois foi a primeira vez na história que uma doença profissional (LER) passou a ser considerada como questão de saúde pública mundial.

As LER/DORT decorrem da intensificação e compõem um conjunto de inflamações que ocorrem basicamente por sobrecarga de trabalho, ambiente de trabalho desconfortável (muito seco, muito frio, muito quente, pouco iluminado, barulhento, apertado etc.) e por movimentos manuais repetitivos, continuados, rápidos ou vigorosos, durante um longo período de tempo.

Pesquisas realizadas por especialistas nas diversas áreas do conhecimento, mostram que a LER/DORT é uma doença crônica, invisível, muitas vezes irreversível, e que carece de esforço conjunto de instituições em mudar esse cenário perverso de ocultação da doença.

No Brasil, segundo dados do INSS, as lesões por esforços repetitivos são a segunda causa de afastamento do trabalho. Acometem homens e mulheres em idade produtiva e estão na maioria das vezes relacionados à organização do trabalho, como posturas inadequadas, movimentos repetitivos e fatores psicológicos.Os profissionais mais suscetíveis a desenvolver o DORT (distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho) são: bancários, metalúrgicos, digitadores, operadores de linha de montagem, operadores de telemarketing, jornalistas e secretárias.

Dados de 2011 do Ministério da Previdência Social, informaram que o custo para o Brasil relacionado a acidentes e doenças de trabalho somado ao pagamento das aposentadorias e outras despesas, é maior que R$40 bilhões por ano. 
Como se trata de um agravo silencioso em que os sintomas levam um tempo para surgirem, os profissionais acometidos ao procurar atendimento médico levam algum tempo para serem diagnosticados. Geralmente apresentam um quadro avançado porque os sintomas iniciais são quadros leves de dores, camuflando assim esse quadro com o uso de medicamentos.

O ambiente de trabalho é, comprovadamente, um causador deste tipo de doença. Estudos apontam que o ritmo intenso de trabalho, a pressão implícita ou explícita para manter este ritmo, as metas estabelecidas sem a participação dos trabalhadores e impossíveis de ser cumpridas, o incentivo à maior produtividade por meio de diferenciação salarial e prêmios, induzindo as pessoas a ultrapassar seus limites, a pressão e o autoritarismo também favorecem o aparecimento de Ler/Dort.

Além disso, o trabalhador, quando adoecido por essas causas, enfrenta o descaso das empresas e do próprio Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) durante as perícias médicas. Logo, trata-se de um desafio para as organizações sindicais a busca da melhoria de vida do trabalhador, o que passa, necessariamente, pela melhoria do ambiente e condições de trabalho. 

Neste sentido, pesquisadores alertam que medidas organizacionais que respeitem as capacidades dos trabalhadores são urgentes diversos setores econômicos como indústria, comércio, serviços e agricultura.

“É preciso chamar a atenção das autoridades e da sociedade para as questões referentes à saúde do trabalhador. A conscientização é de suma importância. As doenças do trabalho atingem muitos trabalhadores que buscam o seu sustento e acabam adoecendo. É necessário dar condições para o trabalhador se proteger e o conhecimento é um passo importante”, destaca Elgiane Lago, secretária de Saúde dos Trabalhadores e Segurança no Trabalho da CTB.

Fonte: Revista Proteção