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Dissertação aborda a exposição ocupacional a agrotóxicos no setor de flores e plantas ornamentais

Saúde Empresarial

Atualizado em: 8 de junho de 2018

Os riscos com agrotóxicos tão amplamente divulgados afetam não só os alimentos consumidos pela população, como também os trabalhadores do setor de flores e plantas ornamentais. Até 2012, a literatura apontava para um número alarmante: morte de 1 trabalhador agrícola a cada 4 horas, em decorrência do uso de agrotóxicos. Os países emergentes são os mais afetados e registram 99% das mortes decorrentes da má utilização dos mesmos, além de diversos casos de intoxicação dos trabalhadores rurais com diferentes graus de gravidade, que constituem um grave problema de saúde pública.

O tema foi apresentado por Paula Peixoto Monteiro Nassar, técnica da Fundacentro do Serviço de Agentes Químicos da Coordenação de Higiene do Trabalho, que, no dia 5 de setembro defendeu a dissertação de mestrado intitulada Exposição ocupacional a agrotóxicos em estufas de flores e plantas ornamentais.

Paula, graduada em Farmácia-Bioquímica enfatizou em seu trabalho a falta de capacitação, de conscientização dos trabalhadores e dos empregadores e o ritmo de trabalho que prejudicam a incorporação das boas práticas em SST e consequentemente a saúde dos trabalhadores do setor.

A pesquisa conduzida por Nassar mostra que dos 65 trabalhadores entrevistados, a maioria eram mulheres e realizavam atividades de manejo (poda, colheita, estaqueamento). Também foram entrevistados aplicadores e proprietários. A maioria nunca recebeu informações sobre manuseio e descarte de agrotóxicos, danos à saúde devido a exposição aos agrotóxicos e nunca leram os rótulos. Alguns trabalhadores relataram que já tiveram alguma intoxicação pelos produtos utilizados no trabalho. Os entrevistados trabalham em estufas da região do Alto Tietê, considerado um dos polos mais importantes do estado de São Paulo na produção de flores e plantas ornamentais. Realizou-se análise das colinesterases (eritrocitária e plasmática em sangue total) e alguns trabalhadores apresentaram redução de mais de 25%, que é o valor do índice biológico máximo permitido conforme a NR7 (Programa de controle médico de saúde ocupacional – PCMSO).

Em um segmento que possui um faturamento de 5.7 bilhões de reais, segundo dados da IBRAFLOR (2015), um dos problemas apontados no estudo é a falta de respeito ao intervalo de reentrada. Este intervalo compreende o número de dias ou horas entre o final da pulverização e a permissão para a entrada dos trabalhadores na área pulverizada sem riscos de exposição. Antes desse período, qualquer trabalhador que necessitar permanecer na área deverá utilizar EPIs da mesma forma que o recomendado para a aplicação do agrotóxico.

Desafios
Paula Nassar observa durante a defesa que o papel mais importante na construção do trabalho acadêmico, é dar um retorno aos trabalhadores do setor para que possam ter o devido acompanhamento no exercício da atividade. Para tanto, a técnica pretende firmar uma futura parceria com o Cerest da região.

Na visão da técnica, a aplicabilidade da NR-7 e o estímulo ao monitoramento biológico de maneira adequada, conforme esta norma, utilizando o valor pré admissional e o próprio trabalhador sendo o seu controle, poderiam contribuir significativamente para a caracterização do risco e da vulnerabilidade desses trabalhadores.

Contrariamente ao que se tem observado onde diversos estudos tem adotado valores de referência e descaracterizam a exposição ocupacional aos agrotóxicos.

Banca
A Mestre em Trabalho, Saúde e Ambiente foi orientada por Marcela Gerardo Ribeiro, pesquisadora da Fundacentro e contou com a participação da médica convidada, Claudia Esteban da Santa Casa e Walter Pedreira, chefe da Coordenação de Higiene do Trabalho da Fundacentro.

 

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