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O futuro da saúde já chegou

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Atualizado em: 14 de outubro de 2020

Futuro da saúde – Se há um ano alguém falasse que em 2020 boa parte das empresas estaria trabalhando remotamente, provavelmente, muitos gestores, líderes e CEO’s torceriam o nariz desconfiados. É da nossa natureza criarmos resistência ao novo e ao que é desconhecido.

Pois bem, a pandemia chegou e mudou as nossas vidas por completo. O que parecia distante tornou-se certo e tivemos que nos adaptar a uma nova realidade – o tal do novo normal. Isso impactou diretamente nosso estilo de vida, principalmente no que diz respeito à saúde.

O setor da saúde, que é inovador, mas regulamentado por um órgão de classe conservador – a telemedicina é um exemplo disso – teve que se reinventar a toque de caixa. A urgência da doença, que se espalhava rapidamente, obrigou as instituições a deixarem de lado os poréns para começarem a pensar nas maneiras de implementar soluções mais eficazes.

Esse aprendizado é sofrido, mas está sendo crucial para construirmos uma nova maneira de relacionar e ofertar saúde. A partir de agora, não se fala isoladamente em medicina curativa, reativa, preditiva, mas num conceito amplo de saúde integral. Isso significa um olhar para o todo, um desafio de anos e que só foi possível acelerar com o empurrão dado pela pandemia.

Diante disso, precisamos avaliar quais desafios teremos pela frente. Por exemplo: se no passado as questões ergonômicas ficavam restritas ao ambiente de trabalho, hoje, elas se estendem ao espaço familiar e residencial. A preocupação da saúde corporativa vai ser mais complexas do que apenas a oferta de um plano de saúde.

Em meio a esse futuro precoce em que vivemos sobram questionamentos: Como se dará a saúde ocupacional nas equipes remotas? Os programas de saúde e segurança de trabalho vão se adaptar ao novo modelo de trabalho? Quais as consequências da saúde física e emocional diante do distanciamento social entre as equipes?

São inúmeras as dúvidas de como a sociedade e as empresas vão responder a tudo isso. Mas uma coisa é certa, ao passo que despertamos um novo olhar para a saúde, o cuidado com o indivíduo também será muito mais humanizado.

Saúde emocional

Outro fator que requer ainda mais atenção, neste momento, são os problemas relacionados à saúde emocional. Não é de hoje que essa questão é preocupante. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 9% da população brasileira sofre com algum transtorno de ansiedade.

Recentemente, uma pesquisa encomendada pela Microsoft revelou que 30% dos trabalhadores em home office já estão sofrendo com a sensação de esgotamento profissional, principal causa para a síndrome de burnout. A pesquisa entrevistou 6 mil funcionários em oito países – Austrália, Brasil, Alemanha, Japão, Índia, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos. Sendo que no Brasil, 44% dos participantes se queixaram de esgotamento, o maior número entre as outras nações.

Mas o que tudo isso nos mostra? Que ainda precisamos trabalhar fortemente as questões de saúde emocional, qualidade de vida e bem-estar. Esse trabalho começa dentro de cada empresa, dando uma voz mais ativa à saúde integral do indivíduo.

Por isso, é preciso conhecer os trabalhadores, saber quais são suas principais queixas e avaliar de que forma essa população dever ser acolhida, inclusive os profissionais saudáveis. A tecnologia permite criar esse vínculo de confiança, desde que os processos estabeleçam um relacionamento eficaz, focado no cuidado mútuo e que faça sentido para aquela população.

Diante de tudo o que acompanhamos nesses últimos sete meses, é certo que o setor de saúde segue rumo a uma abordagem mais conectada, ampla e centrada no paciente.

A telemedicina, a inteligência artificial, o machine learning, os aplicativos de saúde e a Medicina de dados vieram para ficar. Resta saber como vamos utilizar esses recursos para um bem comum – o da saúde da nossa população.

Artigo elaborado pelo médico Cezar Berger, CEO do Grupo Implus, e publicado no portal Saúde Business

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