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Saúde nas empresas: compromisso com o desenvolvimento sustentável

Notícias, Saúde Empresarial

Data: 16 de outubro de 2019

O que esperar da gestão da saúde nas grandes empresas nos próximos anos? Fizemos essa pergunta para a Associação Brasileira de Recursos Humanos, a ABRH-Brasil e descobrimos que as empresas ainda investem muito pouco em gestão integrada e na promoção de saúde.

A ABRH-Brasil realizou uma pesquisa sobre a gestão da saúde no ambiente corporativo em 2017. Foram entrevistados executivos de 687 empresas brasileiras, que representam um universo de cerca de 3 milhões de pessoas. O resultado da pesquisa mostrou que mais da metade das empresas entrevistadas, até então, não tinham uma estratégia definida para a gestão da saúde. “A gestão da saúde é feita isoladamente e sem planejamento pautado em indicadores”, afirma o diretor do Instituto de Gestão Sustentável da ABRH Brasil, Luiz Edmundo Prestes Rosa.

“Algumas empresas sequer têm indicadores que possam respaldar estratégias que culminem em ações que envolvam todos os setores da empresa e melhorem, de fato, a produtividade. E ainda é possível gerar um impacto financeiro positivo”, complementa.

Na maioria dos casos pesquisados, a gestão da saúde nas empresas está nas mãos de analistas de recursos humanos com pouca autonomia, embora a saúde represente cerca de 41% do orçamento das empresas em pessoal, só abaixo da folha de pagamento.

Esse é um alerta importante porque, além da redução de custos, a boa gestão da saúde do trabalhador promove um ambiente produtivo e propício para o desenvolvimento de inovação. “Quando se tem uma ação integrada de gestão da saúde, ela envolve os setores financeiro, de RH e de produção da empresa. Se a equipe vai para uma linha de produção logo após o almoço, você não pode servir feijoada no restaurante. Isso é parte da estratégia integrada, que precisa convergir internamente”, explica o diretor.

Promoção de saúde para o desenvolvimento sustentável

Além de aumentar a produtividade das equipes e diminuir o número de afastamentos por doenças, a promoção da saúde impacta financeiramente. Empresas mais saudáveis gastam menos com saúde e isso tem relação direta com os reajustes das operadoras para as empresas.

Luiz Edmundo afirma que promover saúde ainda não é uma prática comum nas grandes empresas. A pesquisa da ABRH-Brasil revelou também que as vinte melhores práticas de promoção de saúde dentro de empresas no Brasil não acontecem de forma sistemática. São esporádicas e pouco pautadas na realidade epidemiológica da empresa.

Por outro lado, para o diretor, a promoção de saúde dentro das empresas é uma tendência e um compromisso da iniciativa privada com o desenvolvimento sustentável. “As estratégias de gestão de saúde devem focar na promoção”, entende.

Para a diretora administrativa do Imtep, Everli Chandoha, nos últimos anos os empresários tem criado mais consciência quando o assunto é saúde. “O mercado busca atendimento de qualidade, mas com redução de custos. Ou seja, as empresas não querem somente cumprir a legislação. Querem valor agregado nos serviços de saúde, uma gestão que repercuta de forma positiva e traga um profissional saudável, com redução do absenteísmo e maior produtividade”, destaca.

Desde 2017, ano em que realizou a pesquisa, a ABRH promove o Fórum Nacional de Saúde Corporativa, que reúne 19 empresas que trabalham para o desenvolvimento de novas práticas e na criação de políticas de gestão de saúde nas empresas. A ideia é manter atualizadas algumas recomendações de melhorias da gestão de saúde no ambiente corporativo.

Controle e transparência

Para os profissionais que respiram o assunto no dia a dia, controle e transparência são necessários na gestão dos benefícios. O CFO do Grupo Implus, Argimiro Espagnol Ferreira, destaca que as empresas devem entender os fatores geram impacto nos reajustes de planos de saúde, por exemplo.

“Diversos mecanismos podem ser utilizados, a exemplo de ações técnicas voltadas ao mapeamento dos tipos de sinistralidade, e investigação de suas causas em potencial, com a implementação de programas focados em prevenção”, comenta.

Isso se mostra importante por que, de acordo com a pesquisa da ABRH, em 81% das empresas, os custos com os planos de saúde subiram acima da inflação. Mesmo assim, 54% das empresas não trabalham com indicadores.

As ações de controle precisam ter o envolvimento multidisciplinar. Para Ferreira, a interação entre as áreas gestoras dos planos de saúde – geralmente o Recursos Humanos – e o Financeiro, podem proporcionar uma sinergia importante no controle dos custos e o estabelecimento de controles que possam assegurar visão adequada de indicadores qualitativos e quantitativos.

“Outra forma de atuação, é a geração de um banco de dados com informações relevantes sobre o plano de saúde, suas utilizações e custos, e a definição de indicadores eficientes, podem produzir um BI focado na gestão dos planos, colaborando no processo de definições estratégicas relacionadas”, afirma.

Já a diretora administrativa do Grupo Implus, Everli Chandoha destaca que é importante envolver os colaboradores e dar transparência. “É fundamental que todos entendam o custo do benefício e como é calculado o reajuste anual. Assim, há um envolvimento natural e o uso consciente dos planos de saúde, que são benefícios indispensáveis”, comenta. “O cuidado com o profissional trará rentabilidade, pois reduz custos. Isto é gestão de saúde e a saúde dos profissionais  impactam na motivação e no lucro das empresas”, complementa.

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